Friday, May 8, 2009

Diferenças entre TV Digital, HDTV e Full HD

Diferenças entre TV Digital, HDTV e Full HD

Quem já teve a experiência, altamente gratificante, de assistir a um bom programa de TV Digital HDTV em Full HD com Áudio Surround 5.1, certamente torce o nariz, os olhos e os ouvidos para muita coisa que se apresenta no mercado como TV Digital de alta qualidade.

TV Digital, a partir de um determinado nível de compressão, passa a ter menos qualidade do que a TV Analógica. Por exemplo, em termos de resolução a TV Digital em SDTV equivale aproximadamente à TV Analógica tradicional, mas superior a esta a partir do HDTV, mesmo que este HDTV não seja Full HD. SDTV tem resolução em torno de 480 linhas entrelaçadas (640x480 i), HDTV cerca de 720 linhas progressivas (1280x720 p) e HDTV, com Full HD, 1080 linhas entrelaçadas (1920x1080 i) ou 1080 linhas progressivas (1920x1080 p).

Em tese, podemos usufruir de Full HD através da TV Aberta, TV por Assinatura, IPTV, Blu-Ray, HD-DVD ("Let it die?") e, por que não, até mesmo via Internet?

Desde o dia do lançamento da TV Digital no Brasil em 02 de dezembro de 2007, na cidade de São Paulo, as grandes emissoras de TV Aberta vêm transmitindo diariamente programas em Full HD em alguns horários. No que se refere ao áudio surround 5.1 que deve acompanhar as transmissões em Full HD, de forma a abordar com mais propriedade e evitar polêmica imediata , vou deixar para outro artigo.

As TV´s Abertas foram as pioneiras do Full HD no Brasil e partiram direto para a compressão H.264 AVC (MPEG.4 parte 10). As TV´s por Assinatura, como era de se esperar, procuram de todas as maneiras adotar contramedidas no sentido de evitar que parte da sua base de assinantes seja atraída pela alta qualidade da TV Digital Aberta e, em especial, pelo Full HD com Áudio Surround 5.1 que certamente é objeto de desejo acessível, principalmente, para as classes A e B onde se encontra, praticamente, toda a sua base de assinantes. Por exemplo, se você entrar no site da NET (HTTP://nettv.globo.com), ou falar com a central de atendimento ou mesmo entrar em uma das lojas autorizadas e procurar informações precisas sobre NET Digital HD e, principalmente, sobre Full HD, vai perceber logo o que está acontecendo.

A SKY deve lançar em breve a sua alternativa HDTV, mas as grandes dúvidas são com que taxa de compressão e quantos canais SKY vão disponibilizar Full HD.

A TVA, que disponibilizou em 2006 para uma ínfima parcela da população paulistana a primeira transmissão de uma Copa do Mundo de Futebol em HDTV, promete em breve novidades, mas temos as mesmas dúvidas apontadas para a SKY e a NET.

E o IPTV hein? A quantas anda no Brasil? A ANATEL deve estar trabalhando, estudando e discutindo muito para, sob toda essa pressão das várias correntes interessadas, ainda conseguir dentro da Lei satisfazer a todas as tribos e dar soluções elegantes para estes temas ultra-polêmicos que são o IPTV e a SUPERTELE ( também chamada de BrOi= Brasil Telecom + Oi).

Bem, por enquanto só VoD (Video On Demand), mas não vejo outra opção para as operadoras de telecomunicações: ou sai o IPTV com Full HD, Som Surround 5.1, Interatividade e outras vantagens, ou a sobrevivência delas ficará seriamente em risco.

E que fique bem claro: ter TV Digital não significa que você assiste HDTV e ter HDTV não garante que você usufrui de Full HD. Programas de HDTV com Full HD têm sido transmitidos pelas TV's Abertas com taxas de até 18 Mbit/s no padrão MPEG 4 para obtenção do máximo de qualidade possível dentro do canal de RF de 6 MHz. Isto já está criando no Brasil uma referência de experiência Full HD para o usuário, (descrita como "estonteante", "sôco no estômago", "de cinema" e outros adjetivos). Fica evidente que as operadoras de TV por Assinatura , aí incluindo o IPTV, terão de atingir esse patamar de referência para manterem a competitividade. Aguardemos os próximos "rounds" !

Mas não se esqueça: para se deleitar com Full HD todos os componentes devem ser Full HD, desde a produção até o display. Muita atenção nos detalhes do Full HD. Nunca é demais !

Artigo escrito por J.R.Cristóvam da Unisat.com.br

JOSÉ RAIMUNDO CRISTÓVAM NASCIMENTO, é consultor técnico especializado em Telecomunicações, Broadcast, Redes e Internet, com atuação de destaque nas áreas de projetos, seleção de fornecedores e operadoras, contratos, implantação, operação e manutenção. Iniciou sua carreira como engenheiro na NEC, instalando CTV's e rotas de microondas para transmissão de TV e telefonia. Migrou da NEC como chefe da seção de Implantação Rádio, para trabalhar como chefe da divisão de Televisão da Telebahia onde liderou a equipe que projetou e implantou o programa de interiorização de TV no estado, envolvendo equipamentos de SHF, VIDIPLEX e novos Centros de TV. Na Embratel, trabalhou nas áreas Nacional e Internacional, em comunicações via satélites Brasilsat e Intelsat, além de ter sido um dos pioneiros na área de Videoconferência no Brasil. Integrou a equipe da Divisão de Mercado da Embratel que criou o conceito de Engenharia Comercial no Brasil. É Diretor Técnico da Unisat desde 1990, consultor de empresas nacionais e internacionais, e vem também ministrando regularmente treinamento para uma parte considerável das principais empresas. É Presidente da Comissão Permanente de TV Digital da TELECOM, Professor e Coordenador do MBA em TV DIGITAL, RADIODIFUSÃO & NOVAS MÍDIAS DE COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA da UFF (Universidade Federal Fluminense), professor no MBA Serviços de Telecomunicações e na Pós-Graduação Especialização em Comunicações Móveis também da UFF, CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica), UVV (Universidade de Vila Velha) e da FACAM. Coordena ainda no Brasil o GVF-Global VSAT Fórum, ministra palestras e tutoriais em eventos como os da SET, Broadcast & Cable, Telexpo, SUCESU, Futurecom e outros ambientes. É autor de artigos e publicações técnicas especializadas para diversas mídias. É reconhecido por sua forte atuação no mercado de telecomunicações, broadcast e internet de uma forma abrangente e pelo seu diversificado domínio de tecnologias, sistemas, redes, serviços e soluções para clientes. Engenheiro Eletrônico pela Escola de Engenharia da UGF, Pós-Graduado na UFF em Telecomunicações com especialização em TELEMÁTICA e conferencista em congressos nacionais e internacionais.